02/07/2019 às 15h49min - Atualizada em 02/07/2019 às 15h49min

Polícia apura suspeita de fraude e desvio de R$ 500 milhões no Ipasgo, em Goiânia

Investigação aponta que servidores da área de tecnologia cadastravam irregularmente prestadores de serviço. Em um caso, laboratório recebeu por 200 hemogramas feitos em uma única pessoa.

G1 GOIAS

A Polícia Civil fez uma operação nesta segunda-feira (1º) para investigar a suspeita de fraude e desvio R$ 500 milhões no Instituto de Assistência dos Servidores do Estado de Goiás (Ipasgo). Segundo as investigações, servidores da área de tecnologia da informação cadastravam irregularmente clínicas, médicos e laboratórios, que começavam a receber dinheiro do plano de saúde. Em um dos casos, laboratório recebeu por 200 exames de sangues feitos a um único paciente.

Durante a operação, batizada de Morfina, oito servidores públicos foram afastados dos cargos e foram cumpridos quatro mandados de busca a apreensão. Seis pessoas também foram intimadas a prestarem depoimento.

A GT1 Tecnologia informou "que não é alvo de investigação e está contribuindo com as autoridades para a elucidação dos fatos" (veja a nota abaixo na íntegra).

Em nota, o Ipasgo disse que apoia as investigações e espera que todos os fatos sejam apurados e os responsáveis, punidos. A atual gestão disse que as irregularidades foram cometidas por servidores de uma empresa terceirizada contratada em 2011 e que está utilizando sistemas para combater a corrupção (veja a íntegra da nota no final da matéria).

“Uma empresa ou um profissional liberal procurava o Ipasgo, não tinha os requisitos necessários para o credenciamento, mas corrompiam agentes públicos, que usavam CPF falsos e faziam a inserção no sistema e o Ipasgo começava a pagar pelos serviços credenciados ilegalmente”, disse o secretário de Segurança Pública, Rodney Miranda.

A estimativa inicial é que de 2011 até agora, os prejuízos tenham chegado a R$ 500 milhões. “Uma empresa informou e recebeu por 200 hemogramas feitos por uma única pessoa, em um único dia. Isso é certeza de fraude”, disse.


A polícia agora vai investigar se todos os procedimentos que foram pagos realmente foram feitos. Além disso, existe a suspeita de que havia a inserção fraudulenta de usuários do plano de saúde, que é apenas para servidores públicos e dependentes.

“Dos 600 mil usuários regulares no sistema, nós temos uma expectativa de que 15% a 20% não sejam servidores públicos e não tenham a condição de estar participando dessa rede credenciada”, completou o secretário.

O delegado Rhaniel Almeida disse que cada prestador de serviço pagava cerca de R$ 35 mil para ser inserido de maneira irregular no sistema. “Esse valor era passado por pessoas de fora que queriam se credenciar, davam esses valores para essas pessoas que foram alvo da operação e elas recebiam entre R$ 600 e R$ 800 por cada alteração indevida que eles praticavam dentro do sistema”, informou.

Ainda de acordo com o delegado, depois de ser inserido de maneira indevida no sistema, os prestadores de serviço “recuperavam” o dinheiro fazendo os atendimentos.

 

“Após terem o direito de um determinado padrão de cobertura, eles poderiam atender de forma conveniada ao Ipasgo dezenas, centenas de pessoas. Isso gerava um grande enriquecimento ilícito desses prestadores de serviço”, completou.

 

Íntegra da nota do Ipasgo

 

"A atual gestão do Instituto de Assistência dos Servidores Públicos do Estado de Goiás (Ipasgo) vê com muita tristeza os fatos investigados na Operação Morfina, deflagrada nesta segunda-feira (1/7) pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (DERCAP) e Superintendência de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (SCCCO). Os indícios de um esquema milionário de fraudes, em operação há muitos anos, são estarrecedores.

O Ipasgo informa que tem dado integral apoio ao excepcional trabalho de auditoria da Controladoria Geral do Estado (CGE) e de investigação da Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás (SSP-GO), por meio da Polícia Civil do Estado de Goiás, e espera que todos os fatos relativos a tais denúncias sejam adequadamente apurados e os responsáveis sejam devidamente punidos.

Importa esclarecer que as investigações se referem a ações praticadas por colaboradores de empresa de tecnologia que presta serviço ao órgão desde agosto de 2011.

A nova gestão do Ipasgo defende e apoia toda medida de combate à corrupção por entender que tais irregularidades podem colocar em risco a sustentabilidade do plano e, consequentemente, o atendimento à saudade de milhares de cidadãos goianos.

Acrescente-se que em consonância com as diretrizes de austeridade, moralização e profissionalização da administração pública estabelecidas pelo atual Governo de Goiás, medidas de Compliance Público vêm sendo implementadas no Ipasgo, desde o início de 2019, como vacina contra atos de corrupção na instituição pública".

 

Íntegra da nota da GT1 Tecnologia

 

"A respeito da Operação Morfina, deflagrada nesta segunda-feira (1/7) pela Polícia Civil, a GT1 Tecnologia esclarece que não é alvo de investigação e está contribuindo com as autoridades para a elucidação dos fatos.

 

egundo informado pela polícia e pelo Judiciário, oito empregados são investigados pela prática de desvios de conduta na prestação de serviços terceirizados para o Instituto de Assistência dos Servidores do Estado de Goiás (Ipasgo). A empresa esclarece que todos eles já foram devidamente afastados de suas funções administrativas junto ao Ipasgo e acompanha o desenrolar da investigação para tomar as medidas cabíveis.

A GT1 Teconologia foi contratada pelo Ipasgo em processo licitatório para oferecer ao órgão mão-de-obra terceirizada nas áreas administrativa e de tecnologia da informação, não realizando a gestão dos respectivos serviços.

A GT1 presta serviços ao Ipasgo há mais de oito anos e é a primeira vez que alguns de seus empregados têm a conduta questionada por meio de investigação policial. A prestação de serviço não será comprometida, havendo imediata reposição de cada um dos postos de trabalho alvos da investigação.

A GT1 Teconologia é um grupo genuinamente brasileiro composto de profissionais com mais de 15 anos de experiência nas áreas de gestão, tecnologia e atendimento. Hoje estamos entre as maiores empresas de tecnologia do Estado de Goiás, com projetos e profissionais alocados entre administração, TI e atendimento nas regiões Centro Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste".

Veja outras notícias da região no G1 Goiás.

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